«A MINHA CIDADE » – uma entrevista em diferido com o realizador Luís R.T. Matos

O Documentário Cinematográfico – A MINHA CIDADE , de Luís R.T. Matos, estreou a 5  de Abril de 2014 no Teatro-Cine de Torres Vedras.

«Este filme retrata Torres Vedras, cruzando uma narrativa histórica e onírico/pictórica, com testemunhos de Torrienses, que contribuem activamente com o produto da sua paixão, para a iconografia da cidade. É um filme alegórico, sobre a relação de paradoxo entre os valores que nos motivam individualmente e os valores que conduzem os destinos da nossa sociedade desde tempos imemoriais.»

+ info: http://www.estufa.pt/a-minha-cidade-um-documentario-de-luis-teixeira-de-matos

 

Independentemente dos juizos de gosto (subjectivos) e de outras possíveis  afinidades electivas, importa acima de tudo conceder a atenção que qualquer trabalho realizado com esforço e dedicação merece, ou seja, é importante valorizar o  labor de alguém que durante três anos dedicou parte da sua vida a imaginar e a filmar aquilo que é de todos, o nosso espaço-tempo comum. É da mais elementar justiça, porque afinal trata-se de uma obra inédita e de genuina reflexão em torno de um território e de uma “alma colectiva” concreta.

Assim, durante o mês de Maio, após vizualização e conversa com o realizador, iniciámos uma entrevista em diferido- via Internet- , até porque, como vem acontecendo a muitos outros portugueses, Luís Matos viu-se na contingência de ter de “emigrar” para a Suiça onde se encontra a fazer pesquisa e a preparar um novo projecto.

A entrevista ainda não está concluída, dura até hoje e  é uma espécie de  “work in progress” que se vai realizando à medida das nossas possibilidades comunicativas.

A MINHA CIDADE Trailer from LuísRTMatos on Vimeo.

 

«A MINHA CIDADE »

– uma entrevista em diferido com o realizador Luís R.T. Matos


Texto: Rui Matoso

 

1- De onde veio a motivação para fazeres este filme, com esta abordagem específica e não outra qualquer?

Antes de mais, obrigado pelo interesse no meu trabalho. As circunstâncias pessoais que levaram à produção deste filme foram o facto de após alguns anos de intenso de trabalho, ter sentido falta de “filmar livremente”. Estava saudoso de fazer um trabalho não hermético criativamente, digamos assim. E Torres Vedras com a sua carga iconográfica e simbólica pareceu-me absolutamente irresistível. Normalmente a motivação para se fazer um filme, passa pela pertinência do tema do mesmo para o autor, não está necessariamente relacionada com o método de trabalho utilizado. Mas no caso deste trabalho, a metodologia utilizada constituiu em si uma forte motivação para produzir um objecto desta natureza. Isto porque em tese, eu teria que fundir dois géneros antagónicos de documentário (histórico e autoral) a fim de representar cinematograficamente o que pretendia. E isso constituiu um grande desafio, foi um pouco como tentar que água e azeite se fundam. Não sei se estou a responder à tua pergunta, mas grande parte da motivação veio de facto daí, de como fazer um filme sem cair nos estereótipos de género. O risco eminente de falhanço absoluto foi porventura a minha motivação maior para produzir e realizar este documentário. Quanto à segunda parte da pergunta, assumo que quando perguntas “abordagem específica” te referes à estrutura narrativa e intervenientes escolhidos…? – Este tipo de escolhas, são sempre escolhas que se baseiam na eficácia cinematográfica. Esta tem por base a procura de uma eficaz transmissão de informação e de emoção. A forma como se representa emoção é muito importante, mas a forma como se combina esta com a transmissão de informação talvez ainda seja mais importante para a eficácia de um filme. Um filme tem de comunicar. Sempre. A estrutura deve passar a informação e manter o espectador interessado enquanto que os intervenientes têm de ser verdadeiros passando a emoção dessa verdade ao espectador. Os intervenientes e a estrutura foram trabalhados em ordem as estas prioridades.

 

2- Quando dizes que «Um filme tem de comunicar. Sempre.», transmitindo informação e emoção, dá a entender que tens em mente um público-alvo com um perfil já traçado e a quem se destinaria o filme e a mensagem ? Se sim, que audiência(s) tinhas em mente ?

Continuar a ler

Anúncios

Documento Síntese

Após a conclusão do ciclo de debates “Mais Vida no Centro Histórico” , promovido pela Associação do Património de Torres Vedras, disponibiliza-se aqui um documento que procura fazer a síntese das cinco sessões com temáticas distintas em torno da revitalização do Centro Histórico:

(clique na imagem para descarregar PDF)


+ info: http://patrimoniodetorresvedras.blogspot.pt/p/mais-vida-no-centro-historico.html

Summer Lab’12 – Transforma / Imagine 2020, Art and Climate Change

Começa amanhã (5 Setembro 2012) a segunda edição do SUMMER LAB do projeto Europeu “Imagine 2020, Art and Climate Change”, tem lugar em Torres Vedras entre os dias 5 e 9 de Setembro 2012, com a convicção de que em resposta às alterações climáticas, no setor das artes e no setor criativo em geral, bem como na economia e na sociedade, se terá de verificar uma grande transição se quisermos alcançar uma maior sustentabilidade e um futuro mais justo.

A edição deste ano, SUMMER LAB’12, com a temática “ARTE, ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL”, tem como objetivo investigar soluções inovadoras, cenários alternativos e modelos específicos para uma maior aproximação da produção artística contemporânea à economia local, bem como à nacional e à internacional, procurando novos projetos que tenham como ambição promover o desenvolvimento futuro das comunidades tendo em atenção uma significativa diminuição da emissões de carbono.

Reúne artistas, cientistas e empreendedores, nacionais e internacionais, inspirados por questões éticas, económicas e de sustentabilidade e que vão tomar a cidade de Torres Vedras como local para interagir e partilhar a sua criatividade e experiência profissional durante a discussão e o desenvolvimento de projetos concretos.

PROGRAMA

5 Setembro’12 [quarta-feira]
18:00 > 20:00 _ Conferência (programa aberto ao público)

# Imagine 2020, Arte e Alterações Climáticas _ THERESA VON WUTHENAU (DE/FR)
# Alterações Climáticas e Desenvolvimento Sustentável _ FILIPE DUARTE SANTOS (PT)
# Cidades, Cultura e Desenvolvimento Sustentável _ NANCY DUXBURY (CA/PT)

6 a 9 Setembro’12 [quinta-feira a domingo]
9:30 > 18:30 _ Grupos de trabalho (participantes Summer Lab’12)

PARTICIPANTES

// Imagine2020
.Theresa von Wuthenau – Imagine 2020
.Adriana Dobrovic – Domino
.Maja Vižin – Bunker
.Christopher Crimes – EPIC du Domaine D’O
// Artistas
.Matej Andraž Vogrinčič – Bunker
.Jeanne Bloch – Le Quai
.Janis Balodis – NTIL _ New Theatre Institute of Latvia
.Teresa Almeida – Transforma
.Ellen McDougall – LIFT
.Artemis – Domaine D’O
.Henrik Adler – Kampnagel
.Malene Sakskilde – Trasnforma
.Stipe Kostanić – Domino

.Sofia Vilarinho
.Michael Pinsky
// Cientistas
.Francisco Branco
.Luis Amaral
.David Avelar

Ana Luisa Pinheiro
Sueli Venturi
Vera Almada
// Empreendedores
.Rogério Ivan
.David Gamboa
.Catarina Sobreiro
.Luís Sérgio
.Tiago Baptista
.Simon Punter
.Rui Matoso
.Vasco Batista
// Exploradores
.Anela Bešo – Bunker
.Richard J. Houguez – ArtsAdmin

// Speakers
.Andrew Simms (a confirmar)
.Nancy Duxbury
.Filipe Duarte Santos

.Theresa von Wuthenau – Imagine 2020

// Case Studies/Participantes
.Tony Butler
.Simon Punter
.Jeanne Bloch

// Case Studies
.Henrique Cayatte

// Observadores
.Elisabete Fernandes
.Rosária Jorge
.Helena Carvalho

// Equipa
.Direção_LUÍS FIRMO
.Assistente de Direção_RITA TEIXEIRA DE SOUSA
.Direção de Produção_HENRIQUE FIGUEIREDO
.Assistente de Produção_NUNO RELVAS
.Coordenação de produção SUMMER LAB’12_TÂNIA GUERREIRO
.Comunicação SUMMER LAB’12_SOFIA FERREIRA
.Facilitadora SUMMER LAB’12_ANA PACHECO
.Vídeo SUMMER LAB’12_TIAGO PEREIRA

 

+ info: http://www.transforma.org.pt/pt/?/projetos/imagine-2020/summerlab

Massa Crítica – o espectáculo

SINOPSE
Cinco deuses encontram-se no éter espácio-temporal olhando para as vidas dos homens, relembrando o que tiveram de aprender para ascender ao lugar onde agora se encontram e questionando o que devem, e se devem, soprar-lhes leves brisas de clarificação nessa viagem de auto-descoberta.

15 Julho 2012 – Teatro-Cine Torres Vedras

 
FICHA TÉCNICA
Direcção – Diana Coelho
Interpretação e Co-criação – Trupe C [Apolo Santos, Carolina Rodrigues, Dária Rosa, Inês Cabeça, Tomás Guerrinha]
Textos – Ana Meireles, Diana Coelho, Fernando Savater, José Fanha, Trupe C , entre outros que tinham algo a dizer.
Agradecimentos – Ana João Martinho, Ana Meireles, Joana Chaves, João Garcia Miguel, Rui Matoso
Figurinos – Cristina Neves | Som e Vídeo – David Negrão | Luz – Equipa técnica Teatro Cine
Coordenação OEA – Magda Matias
Registo vídeo – Rui Matoso

SOBRE O ESPECTÁCULO
Adulto, como é que podes queixar-te das minhas atitudes sem primeiro questionares teu íntimo? Não podemos evitar pensar se queremos ser homens e não carneiros.
Ninguém pode ser livre em meu lugar, ninguém pode dispensar-me de escolher e procurar por mim próprio.
De 50 ideias lançadas, os jovens foram convidados a escolher de quais queriam falar. Surgiram pontos comuns, discussões, semelhanças e diferenças, um interessante diálogo entre novos seres, jovens caminhando para um futuro que como todos os futuros é cheio de dúvidas e incertezas mas também se faz acompanhar de mutantes certezas.
Um espectáculo sobre a evolução do Ser, retratada em novos seres, em seres jovens assistindo ao seu futuro, pintado de fim do mundo por seres que antes deles chegaram e trouxeram as suas regras, a moral, a conduta da sociedade que hoje se lhes impõe. Ah que vontade de rir, tu que deixaste o meu futuro com este cheiro a caos, queres impelir-me a cumprir as tuas regras.
O gozo da constatação dos factos. A gargalhada nervosa das incoerências que nos apresentam.
Estamos numa sociedade que atravessa um processo de amadurecimento. Uma sociedade adolescente, nervosa, que não sabe para onde vai e caminha irritada por ser mandada pelos seus “pais-galinha”, em busca da sua verdade.
Quando se é uma criança pequena, imatura, com pouco conhecimento da vida e da realidade, a obediência, a rotina ou o pequeno capricho são suficientes. Depois, é preciso tornarmo-nos adultos, ou seja, tornarmo-nos capazes de inventar a própria vida em vez de simplesmente viver a que os outros inventaram para nós.
Somos afectados, exactamente, pelo comportamento dos outros. Existirão «leis naturais» a reger a realidade humana? E como é que, na nossa vida, as coisas se encadeiam? Massa crítica é o que ocorre quando um número suficiente de partes de um todo alcança um determinado nível, iniciando uma reacção em cadeia, na qual todas as outras partes são automaticamente elevadas a este nível também. E então?

+info: https://www.facebook.com/pages/Massa-Cr%C3%ADtica/437611486251689

MASSA CRÍTICA

TEATRO-CINE DE TORRES VEDRAS – 15 JULHO – 17H00

« Adulto, como é que podes queixar-te das minhas atitudes sem primeiro questionares teu íntimo? Não podemos evitar pensar se queremos ser homens e não carneiros.

Ninguém pode ser livre em meu lugar, ninguém pode dispensar-me de escolher e procurar por mim próprio.

De 50 ideias lançadas, os jovens foram convidados a escolher de quais queriam falar. Surgiram pontos comuns, discussão, semelhanças e diferenças, um interessante diálogo entre novos seres, jovens caminhando para um futuro que como todos os futuros é cheio de dúvidas e incertezas mas, também, se faz acompanhar de mutantes certezas.

Um espectáculo sobre a evolução do Ser, retratada em novos seres, em seres jovens assistindo ao seu futuro, pintado de fim do mundo por seres que antes deles chegaram e trouxeram as suas regras, a moral, a conduta da sociedade que hoje se lhes impõe. Ah que vontade de rir, tu que deixas-te o meu futuro com este cheiro a caos, querem impelir-me a cumprir as tuas regras.

O gozo das constatação dos factos. A gargalhada nervosa das incoerências que nos apresentam.

Estamos numa sociedade que atravessa um processo de amadurecimento. Uma sociedade adolescente, nervosa, que não sabe para onde vai e caminha irritada por ser mandada pelos seus “pais-galinha”, em busca da sua verdade.

Quando se é uma criança pequena, imatura, com pouco conhecimento da vida e da realidade, a obediência, a rotina ou o pequeno capricho são suficientes. Depois, é preciso tornarmo-nos adultos, ou seja tornarmo-nos capazes de inventar a própria vida em vez de simplesmente viver a que os outros inventaram para nós.

Somos afectados, exactamente, pelo comportamento dos outros. Existirão «leis naturais» a reger a realidade humana? E como é que, na nossa vida, as coisas se encadeiam? Massa crítica é o que ocorre quando um número suficiente de partes de um todo alcança um determinado nível, iniciando uma reação em cadeia, na qual todas as outras partes são automaticamente elevadas a este nível também. E então? »

+ INFO:

https://www.facebook.com/pages/Massa-Cr%C3%ADtica/437611486251689

Da política do gosto à construção do consenso e vice-versa

No reino do Kitsch, exerce-se a ditadura do coração.

O kitsch é um biombo atrás do qual se esconde a morte.

[ Milan Kundera, A insustentável Leveza do Ser ]

A propósito das opções estéticas de um governante sem nexo e da escolha de Joana Vasconcelos para a Bienal de Veneza

Uma notícia de 16 de Junho revela que o Secretária de Estado da Cultura (SEC) anunciou que a artista plástica Joana Vasconcelos vai representar Portugal na próxima Bienal de Veneza, em 20131. Esta informação, veiculada em comunicado de imprensa do SEC, evidencia desde logo uma enorme falta de coerência e capacidade de discernimento necessária aos governantes.

Comecemos pela inter-relação entre a retórica da dependência (dos artistas face ao Estado) e este ato de programação cultural (escolha de um artista). Em diversos discursos o SEC repete o mantra da “subsiodependência”, querendo com isso referir-se à dependência económica e à colateral dependência ideológica, como se houvesse alguma lei de causalidade que inferisse essa conexão.

Desmontar esta falácia é simples, pois, é humanamente razoável, racional e expectável que, no campo artístico e cultural, ninguém se torna voluntariamente subserviente em troca de dinheiro, a menos que tal lhe seja imposto pelo uso da violência simbólica ou do abuso de poder (dominação) que certos cargos de autoridade podem sustentar! (Claro que há excepções, nomeadamente de “artistas” ou “agentes culturais” que se enganaram na profissão ou no casting…)

> Continuar a ler… (pdf)

Suspeições sobre “Residência (Artística)”

“Residência (Artística) é um projecto ESTUFA, Plataforma Cultural. Co-produção: Teatro-Cine de Torres Vedras e Espaço do Tempo (Montemor o Novo) | Direcção artística: Rogério Nuno Costa. + info: http://www.estufa.pt/pt/residenciaartistica/
 

 Devo dizer, à partida, que sou insuspeito de pretender vangloriar ou sequer defender publicamente o trabalho do Rogério Nuno Costa (Rogério), mas não ignoro nem pretendo ignorar…e, por outro lado, suspeito que a sua colaboração e produção baseada em Torres Vedras tem tido uma forte componente de especificidade em relação ao contexto social/cultural local (social-context specific), o que me parece de grande pertinência.

Os seus projetos torrienses têm merecido (quase) constantemente comentários, críticas desfavoráveis e muitas reservas por parte do “bom gosto” médio reinante. Também confesso que vi o “Mash-Up” (2009)- essa que foi a primeira vez que Rogério usou o palco (à italiana) do Teatro-Cine de Torres Vedras- e lembro-me de ter ficado com má impressão daquilo que na altura me pareceu uma frivolidade bizantina. Depois, e continuando no palco, não vi “Seleção Nacional” (2010) e vi recentemente “Residência (Artística)”

Desta vez houve “reações alérgicas” mais profundas, crispações, abalos na tectónica e comentários intolerantes tais como « Acho vergonhoso ainda existirem pessoas que apoiam este paneleiro com a mania que é irreverente. Este palhaço serve-se do talento das pessoas, e da sua ingenuidade, para as manipular, a este ponto tão alto de estupidez . Acho indecente andarem a roubar dinheiro com este tipo de atuações baratas e pouco fundamentadas. » (https://www.facebook.com/events/243933345693373/)

Logo à partido, na exibição do espetáculo, houve um erro crasso, o da inexistência do aviso de classificação etária para maiores de 16, tendo isso gerado alguns inconvenientes e exposto menores a cenas e linguagem de cariz sexual. O que seria escusado…e isso evitaria algumas das reações epidérmicas. Não pretendo apurar responsabilidades, mas parece óbvio que não é dos artistas. Continuar a ler

documento para reflexões futuras

Após o debate-sismógrafo “Ideias para a comunidade que vem…” (10 Fev. 2012)  inserido no  http://www.estufa.pt/primavera, aqui fica um documento para reflexões futuras, cujo conteúdo foi organizado a partir de vários processos paralelos.

(PDF)

A imbecilidade municipal ganha pontos em Torres Vedras

Ano após anos, no mês de Fevereiro, a Câmara Municipal de Torres Vedras (CMTV) entra num afã arboricida, aniquilando dezenas de árvores saudáveis e plantadas em lugares propícios ao seu desenvolvimento saudável.

Tal como em muitos outros aspectos da vida do município, os eleitos municipais desprezam, numa espécie de autoritarismo provinciano, continuamente as opiniões, as indignações, as criticas ou as sugestões públicas dos cidadãos.

Ora, se o sr. vice-presidente da CMTV e vereador do ambiente, Carlos Bernardes, continua a considerar que as rolagens (poda selvagem) em árvores adultas uma coisa normal e que assim  se «visa promover a saúde e o vigor vegetativo», é porque, enfim, só lhe faltam mesmo as orelhas.

O que é mais obsceno é que a CMTV tenha Agenda 21Local, receba o prémio Eco XXI 2009/2010, esteja a construir um novo Centro Ambiental, e use slogans como «Torres Vedras, um concelho com muito bom ambiente! »

Aqui ficam algumas imagens desse «vigor vegetativo» no concelho de Torres Vedras:

Apresentei queixa à Inspecção Geral da Administração Local:  http://www.igal.pt/

E reclamação à Autoridade Florestal Nacional aqui http://www.afn.min-agricultura.pt/portal

Façam-no vocês também,  está mais do que na altura de parar com estas mentes criminosas !!!

Mais informação sobre esta temática…

http://antiarboricida.wordpress.com/arvores-cidade/boaspraticas/podasrolagem/

http://aphodadasarvores.blogspot.com/

http://www.arvoresdeportugal.net/

http://www.arvoresdeportugal.net/2010/05/comunicado-sobre-poda-de-arvores-em-sintra/

http://cidadaniacsc.blogspot.com/2011/11/para-quem-se-interessa-pela-preservacao.html

http://lourambi-spa.blogspot.com/2010/03/poda-nas-arvores-ornamentais.html

http://side.utad.pt/cursos/storage/AMB/836/1212595200_poda_arvores.pdf  ( Manual de Poda de Árvores Ornamentais)

Era uma vez um Museu Municipal

Artigo escrito por Pedro Fiéis (Historiador), acerca do Museu Municipal Leonel Trindade – Torres Vedras

Não sendo um especialista em museus, procuro tão-somente com este texto exercer uma cidadania ativa, algo que é um direito inerente a sociedades democráticas e mais do que isso um dever dos seus cidadãos.

Tal como escreveu Mário de Andrade, poeta, etnomusicólogo, etc. e um dos fundadores do modernismo brasileiro:

“Outra coisa que me parece de enorme e imediata necessidade é a organização de museus. Mas, pelo amor de Deus! Museus à moderna, museus vivos, que sejam um ensinamento ativo, que ponham realmente toda a população do Estado de sobreaviso contra o vandalismo e o extermínio.”

Mais há frente sugere ainda que nesses museus sejam apresentados materiais arqueológicos, folclóricos, artísticos, históricos, além de elementos de arquitetura regional, das atividades económicas e dos recursos naturais do município. Resumindo defende a valorização do existente, do mais singelo ao mais sofisticado, do popular ao erudito, da cópia ao original, do testemunho natural ao cultural, sem a preocupação de coleções fechadas. A narrativa museológica, nesse caso, surge do diálogo com a população interessada na constituição do museu.

Tudo isto para como expõe o Ministério da Cultura Brasileiro:

“O projeto de Mário de Andrade coloca-nos diante de alguns pontos que desafiam o fazer museológico contemporâneo e também inspira a criação de museus conectados com a vida social, comprometidos com a transformação da realidade e com o exercício do direito à memória e ao património como um direito de cidadania.

Esta referência é feita por colocar em evidência o fato de que a preocupação com os museus municipais tem história e que a construção de novos processos deve levar em conta as experiências e reflexões do passado.”

Quis começar com esta referência por entender que um Museu Municipal deve existir para 1) contar a história do lugar em que está inserido; 2) estudar os impactos da presença humana na transformação da região; 3) recolher memórias locais e 4) utilizando um chavão comum, num mundo global dar uma identidade regional aos seus habitantes.

E isso não está a ser feito atualmente no Museu Municipal Leonel Trindade. Concordo plenamente que o modelo anterior de exposição estava ultrapassado, mas a ideia de que um museu possuidor de um importante espólio arqueológico o tenha encaixotado, entristece-me e confunde-me, principalmente quando o site da Câmara Municipal o continua a evocar.

No fundo o que quero transmitir é que é possível, sem alterar o espaço e trabalhando com o espólio atual (e futuro), encontrar novas formas de o apresentar, tendo de um lado o que são as coleções permanentes e aí ter uma intervenção radical mas apenas ao nível da forma como se apresentam os objetos e de outro ter espaços para exposição temporárias, recordando este ou aquele episódio da longa vivência histórica desta hoje cidade.

Estes são espaços por excelência para experimentar novos conceitos que posteriormente até podem ser reaproveitados para os espaços permanentes.

Gostaria de referir aqui dois exemplos, começando pelo Museu de Liverpool, e faço-o sem querer comparar a dimensão das duas cidades, mas apenas para demonstrar como é possível manter exposições ditas “modernas” sem alterar de fundo o seu conteúdo, bastando para tal nomear uma das galerias – Detetives da História – cujo objetivo é dar a conhecer as descobertas arqueológicas e, tal com está no seu site, http://www.liverpoolmuseums.org.uk, responder a questões tão simples como: O que estava aqui? Como o sabemos? Como evoluiu a cidade?

Contudo tão ou mais importante do que as exposições permanentes, são os programas de parcerias com a comunidade que, em interação com a equipa do museu, pode apresentar novas visões para temáticas da história local1, ou seja, há efetivamente uma reciprocidade de opiniões e uma partilha de experiências, memórias e objetivos comuns.

A segunda referência vai para um dos candidatos a museu europeu de 2012 – Museu das Culturas do Mundo em Colónia, Alemanha, cujas novas instalações inauguraram igualmente uma nova forma de expor as coleções, abandonando um século de paradigmas que haviam norteado a instituição até aí. Tal como é descrito pelo júri do prémio:

“Ao rejeitar a tradicional divisão geográfica e optar por temáticas, abriu-se portas para novos conteúdos, novas interpretações e soluções inovadoras de exposição, estabelecendo um novo paradigma para outros museus. O museu demonstra o seu empenho em servir todos os seus públicos (…). Todos os visitantes encontrarão algo para admirarem e refletirem (…).

Em jeito de conclusão reafirmo a minha convicção de que um Museu Municipal não subsiste de exposições temporárias, deve isso sim utilizar o que é o seu espólio para encontrar o seu potencial máximo em termos culturais, educacionais, de inclusão social e porque não de revitalização urbana, por forma a instilar um sentimento de pertença a uma região e inseri-la no contexto europeu e deve igualmente abrir as suas portas à comunidade associativa em geral, dialogar de forma sincera e requerer mesmo a sua colaboração para se transformar no grande repositório das memórias coletivas do concelho.

1 À data em que escrevo este texto a exposição temporária fora montada com a ajuda de residentes de uma área de Liverpool, que selecionaram objetos das coleções do museu para através dos mesmos contarem memórias e vivências durante a 2ª Guerra Mundial.

%d bloggers like this: