dia 24 DE ABRIL – TORRES VEDRAS

silêncio na cozinha   (Cartier/Kersti)
17h30 – praça da república

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

+ INFO: http://complot-torresvedras.blogspot.pt/

« O complot é a reassunção da soberania secreta, invisível e dissimulada, que se expressa apenas pelos seus efeitos, na insegurança da sua presença real. (…) o complot desenvolve-se na busca dos seus próximos, dos aliados secretos, habitantes do espaço livre dos humanos (…) A arte é a forma mais geral desse complot. Quando algum acto consegue ligar arte e política, encontramos uma forma de partilha e de divisão, em torno de cuja linha podemos esperar que se encontrem os nossos próximos, os nossos irmãos.»  JOSÉ A. BRAGANÇA DE MIRANDA

 

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Entrevista, em diferido, a Rogério Nuno Costa

Sobre o entrevistado Rogério Nuno Costa, pode começar por consultar http://www.rogerionunocosta.com/, mas caso não possua a capacidade hermenêutica necessária, comece antes por aqui http://vouatuacasa.wordpress.com/.

© Susana Neves/Circular Festival de Artes Performativas

Pergunta nº1

A apresentação do teu trabalho (de palco) em Torres Vedras tem estado quase sempre envolvido em “questiúnculas”, no entanto o teu último “Residência (Artística)” parece ter ultrapassado uma fronteira qualquer, tendo-se tornado uma verdadeira polémica. O que consideras ser o substrato fundamental dessa polémica ?

Existe uma primeira “polémica” que é de cariz meramente institucional. Sobre essa não me vou pronunciar, pois não tem rigorosamente nada a ver com o que acho ser interessante discutir sobre e à volta de um espetáculo. Todo e qualquer espetáculo é político; mas nenhum espetáculo deve ser “política”. Uma segunda “polémica”, diretamente relacionada com os conteúdos do espetáculo e a percepção que deles fazem os espetadores, prende-se, a meu ver, com uma confusão entre os regimes ético e estético que no espetáculo são um só. Todos sabemos, mesmo que de forma inconsciente, que qualquer espetáculo é uma obra de ficção, e como tal não é possível confundir os conteúdos do espetáculo (por mais “realistas” que sejam) com a Realidade (seja lá isso o que for). Quando partimos para uma abolição dialética desse binómio ético-estético, que é (e quer-se) radical, parece-me lógico (e até desejável) que surjam reações alérgicas. Não me parece lógico, porém, que dessas reações alérgicas sobressaiam equívocos gravíssimos, que não me parece que sejam apenas terminológicos. Por exemplo, o conceito de “pornografia”, que não está de todo ligado à apresentação mais ou menos explícita de órgãos sexuais ou simulações mais ou menos “reais” de relações sexuais, mas antes àquilo que através dessas simulações se pretende operar no público. Ora a “pornografia”, tida no seu sentido lato, tem subjacente um objetivo claro de excitação do espetador através de uma exposição explícita do ato sexual por meio de um mecanismo de observação assumidamente voyeur. Como poderia analisar Zizek, trata-se de um mecanismo masturbatório, sempre. Nada disso se passa neste espetáculo; todas as cenas (as sexuais, que são duas ou três, e as outras todas) inscrevem-se num território de descontextualização e de atrito conceptual (readymades de cenas do quotidiano, de filmes marginais, de espetáculos de outros autores, de clichés da performance art dos anos 70, etc., etc., etc.), e nesse sentido têm, todas, o mesmo valor ético/estético. Queremos que o espetador jogue connosco esse jogo (que é um jogo de reconhecimento referencial, muito à la Pictionnary, mais do que um jogo de confrontação ou de provocação). Continuar a ler

Suspeições sobre “Residência (Artística)”

“Residência (Artística) é um projecto ESTUFA, Plataforma Cultural. Co-produção: Teatro-Cine de Torres Vedras e Espaço do Tempo (Montemor o Novo) | Direcção artística: Rogério Nuno Costa. + info: http://www.estufa.pt/pt/residenciaartistica/
 

 Devo dizer, à partida, que sou insuspeito de pretender vangloriar ou sequer defender publicamente o trabalho do Rogério Nuno Costa (Rogério), mas não ignoro nem pretendo ignorar…e, por outro lado, suspeito que a sua colaboração e produção baseada em Torres Vedras tem tido uma forte componente de especificidade em relação ao contexto social/cultural local (social-context specific), o que me parece de grande pertinência.

Os seus projetos torrienses têm merecido (quase) constantemente comentários, críticas desfavoráveis e muitas reservas por parte do “bom gosto” médio reinante. Também confesso que vi o “Mash-Up” (2009)- essa que foi a primeira vez que Rogério usou o palco (à italiana) do Teatro-Cine de Torres Vedras- e lembro-me de ter ficado com má impressão daquilo que na altura me pareceu uma frivolidade bizantina. Depois, e continuando no palco, não vi “Seleção Nacional” (2010) e vi recentemente “Residência (Artística)”

Desta vez houve “reações alérgicas” mais profundas, crispações, abalos na tectónica e comentários intolerantes tais como « Acho vergonhoso ainda existirem pessoas que apoiam este paneleiro com a mania que é irreverente. Este palhaço serve-se do talento das pessoas, e da sua ingenuidade, para as manipular, a este ponto tão alto de estupidez . Acho indecente andarem a roubar dinheiro com este tipo de atuações baratas e pouco fundamentadas. » (https://www.facebook.com/events/243933345693373/)

Logo à partido, na exibição do espetáculo, houve um erro crasso, o da inexistência do aviso de classificação etária para maiores de 16, tendo isso gerado alguns inconvenientes e exposto menores a cenas e linguagem de cariz sexual. O que seria escusado…e isso evitaria algumas das reações epidérmicas. Não pretendo apurar responsabilidades, mas parece óbvio que não é dos artistas. Continuar a ler

Desejos & Reivindicações Culturais (2)

Continuação do post anterior

Fig. 2

Comentário: Este desejo parece remeter  para o identificado na Fig.1, é uma outra forma de fazer referência aos mesmos tópicos, ainda que não coincidente. A “agilidade em perceber onde estão as fortes dinâmicas culturais” reivindica a existência de uma atenção/observação/monitorização constante das “dinâmicas culturais”, o que requer uma estrutura (plataforma,observatório, consórcio,…) que permita cartografar essas mesmas dinâmicas e agir sobre elas em diversos eixos: oferta-procura, estudos de públicos, diagnósticos sócio-culturais, análise de oportunidades e ameaças, programação colectiva, etc…Em Portugal, à escala nacional, o Observatório das Actividades Culturais (http://www.oac.pt/) cumpre esse desígnio, através de publicação de estudos, por exemplo. No Brasil, a cidade de Porto Alegre desenvolveu também o seu observatório http://culturadesenvolvimentopoa.blogspot.com/ . Inúmeros exemplos não faltam! No entanto, algo do género “ Observatório das Dinâmicas Culturais” só tem pleno sentido se integrado numa estratégia mais abrangente de política cultural local, mas é por aí que as coisas falham, devido à sua inexistência.

A outra reivindicação “sem vassalagem!”, explicita um certo “mal estar na cultura” onde se denota que as práticas culturais existentes pressupõem um grau de “vassalagem”, ou seja, alguma (ou muita ?) adequação forçada ao sistema cultural oficial que define as regras e limites daquilo que pode ser a cultura e as práticas artísticas. Este é um sintoma clássico da relação entre Poder e Cultura, designadamente porque na sua vontade de dominação o poder pretende sempre legitimar a oferta cultural e domesticar o campo cultural através do uso do poder simbólico1. Existem várias formas de exercer essa legitimação cultural, como p. ex., através da autoridade, do carisma, da influência, da coerção, da retórica ou da representação. Este poder simbólico, ao contrário do poder físico (violência) tem um impacto bastante forte quando usado (explicita ou implicitamente), pois incide sobre as interacções sociais, ou seja, sobre as orientações de acção, atitudes, valores, maneiras de ser, enfim sobre o pensar e o agir. Continuar a ler

Desejos & Reivindicações Culturais (1)

Durante o PRIMAVERA (by Estufa) , e em articulação com o Debate-Sismógrafo, esteve patente um dispositivo/processo que consistiu em oferecer a montra do espaço para a transformar numa  montra dos “Desejos & Reivindicações Culturais” onde todos poderiam, de forma anónima, inscrever as suas mensagens…Aqui ficam algumas delas, com os meus comentários à posteriori.

“Montra dos Desejos & Reivindicações Culturais”

Desejos & Reivindicações Culturais”

 Fig. 1

Fig.1

Comentário: A reivindicação de mais apoio às iniciativas culturais entendo-o como a necessidade de garantir um apoio global (financeiro, logístico, gestão, etc…) por parte das instituições públicas culturais e por parte do executivo municipal, um apoio mais estruturado e estruturante. Isto não significa que não existam apoios, mas que o modelo existente é insuficiente, designadamente por ser um modelo baseado no “clientelismo”, isto é, baseia-se na gestão das relações particulares e distintas entre os responsáveis municipais e actores/agentes culturais.

Daí também a conjugação com a reivindicação ou desejo de “menos prepotência dos órgãos instituídos”, esta “prepotência” é a outra face da moeda do “clientelismo”. Quando não existem estratégias, objectivos , medidas, regras e critérios tornados públicos, a definição de compromissos passa pelas relações particulares/privadas diferenciadas, onde a informação circula em ambientes privilegiados por afinidades. Continuar a ler

Ideias para a comunidade que vem…na PRIMAVERA

MMesa redonda ou debate-sismógrafo

> 10 de Fevereiro 2012 |18h30-21H30 | PRIMAVERA – INTERVENÇÕES ARTÍSTICAS EM ESPAÇO DEVOLUTO

Sinopse

Ideias para a comunidade que vem…é um debate-sismógrafo em torno da vitalidade cultural de Torres Vedras, uma aproximação à sismografia das condições atuais de cultura e das ideias que sejam potencialmente úteis à comunidade que vem. A partir de questões previamente colocadas aos participantes e de mensagens inscritas pelos cidadãos na montra dos “desejos & reivindicações culturais”, será mantido um debate cujo resultado final se prevê ser documentado e publicado.

Como será essa “diferença” ? De que tipo ou grau ? Que precisamos saber e fazer para que essa “diferença” surja ? Afinal em que mundo e em que cidade desejamos viver ?
Que reivindicações/exigências devemos ter ?


«Os Chassidim contam uma história sobre o mundo por vir, que diz o seguinte: Lá, tudo será precisamente como é aqui; como é agora o nosso quarto, assim será no mundo que há-de vir; onde agora dorme o nosso filho, é onde dormirá também no outro mundo. E aquilo que trazemos vestido neste mundo é o que vestiremos também lá. Tudo será como é agora, só que um pouco diferente»  Giorgio Agamben (apud. W. Benjamim,  A comunidade que vem)

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Montra dos Desejos & Reivindicações Culturais

Paralelamente, mas interrelacionado com o debate, estará patente um DISPOSITIVO-INSTALAÇÃO, denominado Montra dos Desejos & Reivindicações Culturais. Este dispositivo funcionará na entrada do edifício (montras) e permitirá a qualquer cidadão inscrever os seus desejos ou reivindicações culturais nas folhas A4 disponibilizadas para o efeito, as quais serão expostas na montra. Estes “desejos ou reivindicações culturais” servirão igualmente de alimento para o debate.

Agente provocador (moderador): Rui Matoso

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