«A MINHA CIDADE » – uma entrevista em diferido com o realizador Luís R.T. Matos

O Documentário Cinematográfico – A MINHA CIDADE , de Luís R.T. Matos, estreou a 5  de Abril de 2014 no Teatro-Cine de Torres Vedras.

«Este filme retrata Torres Vedras, cruzando uma narrativa histórica e onírico/pictórica, com testemunhos de Torrienses, que contribuem activamente com o produto da sua paixão, para a iconografia da cidade. É um filme alegórico, sobre a relação de paradoxo entre os valores que nos motivam individualmente e os valores que conduzem os destinos da nossa sociedade desde tempos imemoriais.»

+ info: http://www.estufa.pt/a-minha-cidade-um-documentario-de-luis-teixeira-de-matos

 

Independentemente dos juizos de gosto (subjectivos) e de outras possíveis  afinidades electivas, importa acima de tudo conceder a atenção que qualquer trabalho realizado com esforço e dedicação merece, ou seja, é importante valorizar o  labor de alguém que durante três anos dedicou parte da sua vida a imaginar e a filmar aquilo que é de todos, o nosso espaço-tempo comum. É da mais elementar justiça, porque afinal trata-se de uma obra inédita e de genuina reflexão em torno de um território e de uma “alma colectiva” concreta.

Assim, durante o mês de Maio, após vizualização e conversa com o realizador, iniciámos uma entrevista em diferido- via Internet- , até porque, como vem acontecendo a muitos outros portugueses, Luís Matos viu-se na contingência de ter de “emigrar” para a Suiça onde se encontra a fazer pesquisa e a preparar um novo projecto.

A entrevista ainda não está concluída, dura até hoje e  é uma espécie de  “work in progress” que se vai realizando à medida das nossas possibilidades comunicativas.

A MINHA CIDADE Trailer from LuísRTMatos on Vimeo.

 

«A MINHA CIDADE »

– uma entrevista em diferido com o realizador Luís R.T. Matos


Texto: Rui Matoso

 

1- De onde veio a motivação para fazeres este filme, com esta abordagem específica e não outra qualquer?

Antes de mais, obrigado pelo interesse no meu trabalho. As circunstâncias pessoais que levaram à produção deste filme foram o facto de após alguns anos de intenso de trabalho, ter sentido falta de “filmar livremente”. Estava saudoso de fazer um trabalho não hermético criativamente, digamos assim. E Torres Vedras com a sua carga iconográfica e simbólica pareceu-me absolutamente irresistível. Normalmente a motivação para se fazer um filme, passa pela pertinência do tema do mesmo para o autor, não está necessariamente relacionada com o método de trabalho utilizado. Mas no caso deste trabalho, a metodologia utilizada constituiu em si uma forte motivação para produzir um objecto desta natureza. Isto porque em tese, eu teria que fundir dois géneros antagónicos de documentário (histórico e autoral) a fim de representar cinematograficamente o que pretendia. E isso constituiu um grande desafio, foi um pouco como tentar que água e azeite se fundam. Não sei se estou a responder à tua pergunta, mas grande parte da motivação veio de facto daí, de como fazer um filme sem cair nos estereótipos de género. O risco eminente de falhanço absoluto foi porventura a minha motivação maior para produzir e realizar este documentário. Quanto à segunda parte da pergunta, assumo que quando perguntas “abordagem específica” te referes à estrutura narrativa e intervenientes escolhidos…? – Este tipo de escolhas, são sempre escolhas que se baseiam na eficácia cinematográfica. Esta tem por base a procura de uma eficaz transmissão de informação e de emoção. A forma como se representa emoção é muito importante, mas a forma como se combina esta com a transmissão de informação talvez ainda seja mais importante para a eficácia de um filme. Um filme tem de comunicar. Sempre. A estrutura deve passar a informação e manter o espectador interessado enquanto que os intervenientes têm de ser verdadeiros passando a emoção dessa verdade ao espectador. Os intervenientes e a estrutura foram trabalhados em ordem as estas prioridades.

 

2- Quando dizes que «Um filme tem de comunicar. Sempre.», transmitindo informação e emoção, dá a entender que tens em mente um público-alvo com um perfil já traçado e a quem se destinaria o filme e a mensagem ? Se sim, que audiência(s) tinhas em mente ?

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