Da política do gosto à construção do consenso e vice-versa

No reino do Kitsch, exerce-se a ditadura do coração.

O kitsch é um biombo atrás do qual se esconde a morte.

[ Milan Kundera, A insustentável Leveza do Ser ]

A propósito das opções estéticas de um governante sem nexo e da escolha de Joana Vasconcelos para a Bienal de Veneza

Uma notícia de 16 de Junho revela que o Secretária de Estado da Cultura (SEC) anunciou que a artista plástica Joana Vasconcelos vai representar Portugal na próxima Bienal de Veneza, em 20131. Esta informação, veiculada em comunicado de imprensa do SEC, evidencia desde logo uma enorme falta de coerência e capacidade de discernimento necessária aos governantes.

Comecemos pela inter-relação entre a retórica da dependência (dos artistas face ao Estado) e este ato de programação cultural (escolha de um artista). Em diversos discursos o SEC repete o mantra da “subsiodependência”, querendo com isso referir-se à dependência económica e à colateral dependência ideológica, como se houvesse alguma lei de causalidade que inferisse essa conexão.

Desmontar esta falácia é simples, pois, é humanamente razoável, racional e expectável que, no campo artístico e cultural, ninguém se torna voluntariamente subserviente em troca de dinheiro, a menos que tal lhe seja imposto pelo uso da violência simbólica ou do abuso de poder (dominação) que certos cargos de autoridade podem sustentar! (Claro que há excepções, nomeadamente de “artistas” ou “agentes culturais” que se enganaram na profissão ou no casting…)

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3 thoughts on “Da política do gosto à construção do consenso e vice-versa

  1. Grande texto! Análise pertinente.
    Estamos de facto no “reino dos reis”. É da natureza do príncipe comportar-se como tal. Aos súbditos compete fazer clap-clap, de espinha dobrada. Esta lógica entranhada na vida pública parece fazer parte da Natureza. Mas essa aparência resulta apenas da ignorância e dos óculos escuros que se entranham na cara dos súbditos.

  2. Eu cá transportava o sentido deste texto para a realidade da interligação Cultura/Poder Local para a cidade de Torres Vedras, nomeadamente para o largo do novo Mercado Municipal! É que 300 mil euros por um capricho de gosto de uma cultura política local é muita parra e pouco vinho! 🙂

  3. Sim é verdade ! Claro que o dinheiro é importante mas a mim preocupa-me mais a forma politicamente abusiva como se fazem as coisas na cultura…com os efeitos nefastos que muita gente acha normal…

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